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Palestrante desafia participantes a humanizar as mídias sociais

por Marcus Tullius

A primeira conferência do 11º Muticom, realizada pelo jornalista e professor Moisés Sbardelotto, tratou de “Midiatização e responsabilidade na Igreja e no mundo”. Comunicadores e comunicadoras de todos os cantos do país foram provocados a
respeito da responsabilidade social da comunicação e do papel de cada um neste processo, nessa sexta-feira (18/07).

Em referência ao estudioso jesuíta Pedro Gomes, o conferencista falou sobre o novo modo de ser no mundo, o “bios midiático”, onde, para compreender-se, o indivíduo e a instituição necessitam se conectar com a “chave hermenêutica”, a lógica de pensamento
que a sociedade estabeleceu como valor. “Os modos de ser mudaram!”, disse Sbardelotto, ressaltando que o ser padre, cidadão, mãe, amigo, namorada, e, também, o modo ser cristão mudou.

“Essencialmente, evangelizar é comunicar. E a comunicação se transformou”, pontuou. Hoje, os grandes mediadores são cada vez menos necessários. As pessoas acordam verificando as atualizações das redes sociais e não deixam de conferi-las antes de dormir. Segundo o palestrante, com a “virada midiática”, as mudanças que gritam em comportamentos cotidianos e relacionamentos diários também são construídas no âmbito das estruturas de jogo político e processo democrático.

O conferencista explica que fenômenos como eleições protagonizadas por um uso intenso de mídias sociais, desprivilegiando a mídia tradicional, evidenciam o protagonismo do indivíduo e a exploração de elementos de simplicidade empobrecedora do diálogo, carregados de agressividade e ódio. Exemplos disso são os conhecidos “memes”. Segundo ele, não há diversidade, apesar do excesso de informação. Consome-se mais do mesmo e cultiva-se a indiferença ao outro, o que faz emergir a irresponsabilidade quanto ao que é dito, e culmina nas temíveis fake news.

O deixar de se importar como outro é produzir sua morte, disse o professor, após citar o documento Laudato Si (nº 47), no qual o papa Francisco escreve que “a morte do outro é extremamente preocupante”. O mundo carece, com urgência, de uma comunicação para a paz. Nesse sentido, citando, uma vez mais, o Santo Padre, trouxe: “comunicação de paz é aquela que é feita por pessoas e para pessoas, considerada serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo são a maioria – que não têm voz”. Ao final, dois desafios foram propostos: #OcuparAsRedes e #HumanizarAsRedes Assim, concluímos para começar, disse ele.

 

Texto: Marizângela Anjos Tomás, estudante de Direito da PUC Goiás

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