Home Notícias Treinamento de mídia para padres e bispos foi uma das novidades do 11º Muticom

Treinamento de mídia para padres e bispos foi uma das novidades do 11º Muticom

por Marcus Tullius
Pesquisador orientou clérigos a como se portar diante dos meios de comunicação de massa

Para quem já teve a oportunidade de conceder entrevista a um veículo de comunicação, seja ele rádio, TV ou jornal, sabe que não é fácil estar diante de um microfone, falar ao público e responder perguntas. Tudo conta um pouco: visual, impostação de voz, ética nas palavras a serem usadas, objetividade no conteúdo apresentado e respostas convincentes sobre temas polêmicos ou complexos.

Moisés Sbardelotto, pesquisador e jornalista fez oficina, neste sábado (20), sobre o chamado Media Training (treinamento de mídia) exclusivo para padres e bispos, durante o 11º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom 2019), que acontece na Cidade da Comunhão – Centro Pastoral Dom Fernando (CPDF), em Goiânia. O foco da oficina foi ajudar o Clero a entender o seu papel como liderança no ambiente midiático. “Os padres e bispos precisam saber como lidar com este mundo da comunicação diante da mídia, especialmente com uma postura ética, representando bem a Igreja, com respeito aos valores do Evangelho”, disse.

Padres e bispos precisam estar cientes de sua presença na mídia. Que imagem estão transmitindo? Sbardelotto comentou que, embora muitos padres, sobretudo os mais novos, possam publicar conteúdo em redes sociais pessoais, para o público que o conhece, ele fala como um representante oficial da Igreja. “O clero deve ter consciência de sua imagem e de como estão construindo sua presença na mídia para que não seja uma presença negativa, nem dúbia ou que possa gerar dúvidas entre aqueles que o seguem. Enfim, precisam ter consciência de que são figuras públicas.”

Como estudioso da comunicação, Moisés observa o comportamento dos clérigos nos meios de comunicação, seja na internet como também nos meios tradicionais. Ele elencou alguns pontos que devem ser observados por eles diante da mídia. “É  indispensável ter presença na mídia; em um ano importante como 2019 em que haverá um Sínodo sobre a Amazônia, é fundamental estar preparado para responder a respeito, contribuir com a Igreja, esclarecer a sociedade; ter consciência do seu papel na mídia; entender que a mídia não é inimiga da Igreja; ajudar a Igreja a se mostrar para a sociedade; acolher as demandas e atender a imprensa quando solicitada”.

Questões práticas
A parte prática também foi abordada durante o media training. Sbardelotto focou em dois aspectos principais: primeiro como conceder entrevista, isto é, como se portar diante da mídia desde o convite, o atendimento da imprensa até o pós-entrevista. “É importante a Igreja acompanhar o passo a passo até a publicação da matéria”, lembrou. O pesquisador falou aos bispos sobre como os jornalistas buscam a informação, como são pensadas as perguntas, como é o processo de preparação da entrevista na redação do jornal e como a pauta chega ao bispo ou padre. Moisés também conversou com eles sobre como deve ser a recepção da pauta pelo entrevistado e como se apresentar na entrevista para ter uma recepção positiva por parte do público.

Sbardelotto alertou os participantes da oficina sobre possíveis crimes que podem ser cometidos durante uma entrevista como racismo, difamação, calúnia, uso de imagens e sobre os cuidados que devem ser tomados perante a lei. Tratou de aspectos éticos e morais e aconselhou os clérigos a zelar pela sua imagem. “Zelar pela própria imagem é zelar pela
Igreja”, afirmou.

Assessorias de comunicação
Não são poucas as paróquias e dioceses, além de congregações e instituições católicas diversas que contam com o trabalho de um assessor de comunicação. Muitos deles são jornalistas, publicitários ou relações públicas, portanto, sabem lidar com os meios de comunicação.

Moisés Sbardelotto comentou com os participantes da oficina sobre a importância de uma assessoria de comunicação no sentido de tornar a Igreja mais apresentável nos meios de comunicação e mais próxima da sociedade e do seu público.  Contar com uma assessoria de comunicação facilita o contato com a mídia de massa e contar com um assessor que está a par de tudo o que está acontecendo na diocese ou na paróquia é muito importante também”. Ele ressaltou que um canal direto de comunicação entre assessor e assessorado facilita os trabalhos. “O diálogo entre eles precisa existir sempre e, mais do que isso, a relação de confiança e a transparência total. Com isso, a comunicação flui, o assessor ajuda também na atualização de dados e informações sobre o assessorado e os resultados aparecem. Em pouco tempo será perceptível que o fornecimento de informações para os meios de comunicação não levará semanas ou meses e que a Igreja passará a aparecer mais na mídia de maneira positiva e a relação com a imprensa será estreitada”, concluiu.

Texto: Fúlvio Costa | Fotos: Rudger Remigio e Pe. Vitor Simão 

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