Mutirões de Comunicação: a comunicação que faz história

Mutirões de Comunicação: a comunicação que faz história

30/06/2021 . Notícias do Muticom

Mutirão Brasileiro de Comunicação nasceu a partir da Equipe de Reflexão de Comunicação da CNBB (ER 1997-1998), que buscava organizar um evento para reunir as lideranças da Igreja, organizações católicas de comunicação, profissionais e a Pastoral da Comunicação. Presidia o Setor de Comunicação da CNBB [1], Dom Décio Zandonade, sdb, então bispo Auxiliar de Belo Horizonte (MG). Entre outros especialistas, os presidentes das organizações católicas de comunicação faziam parte da ER: União de Radiodifusão Católica (UNDA/Br), Irmão Lauro Pazetto; Rede Católica de Rádio (RCR), Padre César Moreira; União Cristão Brasileira de Comunicação UCBC), Elson Faxina;  Organização Católica Internacional de Cinema (OCIC/Br), os professores José Tavares de Barros (UFMG) e Miguel Pereira (PUC-Rio); Serviço à Pastoral da Comunicação (SEPAC), Irmã Helena Corazza, fsp.

Com a tradição de organizar Congressos de comunicação a UCBC, a Equipe projetou um evento semelhante, voltado ao diálogo com a sociedade e a evangelização, reunindo todos os grupos da Igreja e profissionais da comunicação. Muitas reuniões foram realizadas, buscando um caminho que incluísse reflexão,  partilha e troca de experiências. A realização com uma entidade parceira, Diocese ou Universidade para sediar o evento. No espírito do Concílio Vaticano II, o Muticom nasceu ecumênico aberto à participação de outras denominações religiosas com quem as organizações católicas de comunicação já trabalhavam.

Sobre a escolha do nome Mutirão é uma prática enraizada na cultura brasileira, contém o construir juntos e subjaz o pensamento de uma comunicação onde o diálogo, a participação, a construção coletiva são constitutivos. Brasileiro porque a proposta é reunir lideranças de comunicação do Brasil, aberto ao internacional. A Marca “Mutirão Brasileiro de Comunicação”, acompanhada de um desenho com fragmentos, vermelhos, verdes e brancos, com a característica de cada lugar, sempre indicando o “pensar, construir, fazer juntos”, em mutirão. Quanto a data e periodicidade, normalmente, fixou-se a terceira semana do mês de julho, a cada dois anos, aproveitando as férias escolares, o uso do espaço nas universidades e a participação de estudantes.

A Metodologia do Mutirão

Desde o início, a prática foi de buscar juntos um tema central e palestrantes, com a ajuda da Equipe de Reflexão de Comunicação da CNBB. A escolha da temática procurava estar em sintonia com grandes temas mundiais, para chamar a atenção da sociedade para as questões, e não para o interno da Igreja. A parte da manhã, dedicada a palestras com desdobramentos do tema central enquanto à tarde, a grupos de estudo e Oficinas, cursos breves de formação e articulação, uma vez que este era um espaço buscado pelos participantes. Uma feira cultural com publicações e lançamentos de Editoras Católicas e outros segmentos parceiros no evento e momentos culturais, compunham a programação.

Mutirões realizados

O primeiro Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom) foi realizado em 1998, em Belo Horizonte (MG), na Universidade Católica com o tema “Solidariedade – Ética – Cidadania”. Neste primeiro, houve também encontro dos professores de comunicação nos Seminários e Faculdades de Teologia, uma vez que o Setor de Comunicação reunia este segmento.

O Segundo Muticom foi realizado na cidade de São Paulo, no ano 2000, sediado pelo Colégio Santa Terezinha, Salesianos, e organizado com a UCBC, com o tema: “Relações Solidárias na Aldeia e no Global”. No decorrer do tempo, Dioceses e Regionais da CNBB passaram a realizar os Mutirões locais e Regionais para a animação local, preparando o Nacional.

O terceiro, em 2003, na cidade de Salvador (BA), assumido e organizado pela Arquidiocese, sob a coordenação do Pe. Manoel Filho, então coordenador da Pastoral da Comunicação (PASCOM), com a temática “Comunicação para outra ordem social”. O quarto, em 2005, assumido pela Arquidiocese de Vitória (ES) e realizado na cidade de Guarapari (ES), com o tema “Comunicação e responsabilidade social”. Neste Mutirão, Ricardo Yañez, representante da Signis marcou presença e reuniu lideranças, sob a presidência de Dom Orani João Tempesta, tendo em vista a criação da Signis no Brasil.

O 5º. Mutirão Brasileiro de comunicação foi realizado em Belém (PA), em 2007, assumido pela Arquidiocese de Belém, tendo como Arcebispo Dom Orani João Tempesta, também presidente da Comissão de Comunicação da CNBB, com o tema “Comunicação e Amazônia: Fé e Cultura de Paz”. Durante este Mutirão foi articulada a criação da Rede de Notícias da Amazônia (RNA).

De 12 a 17 de julho de 2009, em Porto Alegre (RS), o 6º. Muticom assumiu dimensão Lationo-americana e caribenha, reunindo representantes da comunicação dos diversos países. A Arquidiocese de Porto Alegre e comunicadores coordenaram o evento, realizado na PUCRS, abordando o tema “Processos de Comunicação e Cultura Solidária”.

O 7º. Mutirão Brasileiro de Comunicação aconteceu no Rio de Janeiro, em 2011, assumido pela Arquidiocese e PUCRIO, sob a presidência do Arcebispo Dom Orani João Tempesta, trabalhou o tema “Comunicação e Vida. Diversidade e Mobilidades”. Marcou presença Dom Cláudio Maria Celli, então presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, do Vaticano.  Nesta ocasião Dom Orani possibilitou a apresentação da Signis Brasil, criada em 2010, com a participação dos setores: impressos, rádio, televisões católicas; um stand também favoreceu a visibilidade[2].

O 8º. Muticom, em 2013, aconteceu no Nordeste, em Natal, assumido pela Arquidiocese em parceria com a Universidade Federal (UFRN), com  tema “Comunicação e participação cidadã: meios e processos” também com presença significativa da Signis Brasil e do secretário da Signis mundial, Ricardo Yañez.  O 9º. Muticom, em 2015, voltou para o Espírito Santo, em Vitória, assumido pela Arquidiocese com o tema “Ética nas comunicações”, também com a presença de Signis Brasil e o lançamento da Rede Católica de Rádio do Espírito Santo (RCRES).

O 10º. Muticom foi realizado em 2017, em Joinville (SC), assumido pela Diocese com o tema “Educar para a comunicação” e contou com a presença do presidente da Signis ALC (América Latina e Caribe), Carlos Ferraro. O 11º. Muticom, em 2019, em Goiânia (GO), assumido pela Arquidiocese e realizado no Centro Pastoral Dom Fernando (CPDF), com o tema “Comunicação, Democracia e Responsabilidade Social”.

O 11º. Mutirão Brasileiro de Comunicação acontece em Belo Horizonte (MG), na PUCMinas, nos dia 23 e 24 de Julho de 2021, 100% online, devido a pandemia, com o tema “Por uma comunicação integral. O humano nos novos ecossistemas”. Este Mutirão volta a reunir todas as lideranças eclesiais de comunicação, na cooperação, nos mesmos objetivos, somando esforços por uma comunicação integral onde o humano seja considerado acima do mercado e do lucro.

A história é dinâmica. Em mais de 20 anos de caminhada, atualizações foram necessárias. O importante é manter o espírito do que significa MUTIRÃO e, conforme recomenda o “Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil”, Doc. CNBB, n. 99, continuar trabalhando a Educação para a Comunicação no diálogo, espírito crítico e formação adequada, a serviço da evangelização, no contexto contemporâneo.

______________________
Irmã Helena Corazza, fsp é jornalista e doutora em Ciências da Comunicação. Este artigo faz um relato em base à memória e à história, uma vez que a autora participou do processo inicial de criação do Mutirão Brasileiro de Comunicação e de todos os Mutirões, enquanto membro da Equipe de Reflexão, participante das Organizações Católicas de Comunicação e do SEPAC Paulinas.

 

[1]A Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação foi aprovada na  49ª Assembleia Geral dos Bispos no Brasil, em 2011. Antes disso, a comunicação se organizava num Setor, depois passou a integrar a Comissão com a Educação e Cultura.

[2] A Signis Brasil foi criada em 2/12/2010,  na última Assembleia da UNDA/Br, em Curitiba (PR), cuja diretoria preparou a transição. Estiveram presentes alguns membros da Signis ALC. Com a eleição da primeira diretoria, Ir. Helena Corazza foi eleita primeira presidente da Associação. Mais informações: http://www.signis.org.br/menu/quem-somos/historia

 

 

Veja Também

Promoção:
Realização:
Patrocinadores:
APOIO: